Bushidō, ‘O Caminho do Guerreiro’ (の士), é o antigo código de conduta dos samurais, um conjunto de regras e recomendações aplicados tanto na guerra, quanto na vida, referenciados até os dias atuais. O termo refere-se ao pensamento sistematizado que geralmente formavam a base do valor e padrões éticos utilizados na hierarquia samurai, ou ‘bushi’ (guerreiro) que iam muito além do campo de batalha durante o Japão feudal. As rígidas regras visavam desenvolver uma forma de sobrevivência como guerreiro centrado em desenvolver a si mesmo, e à família. Desta forma, possibilitava trazer-lhes uma vantagem ao alcançar o renome militar nessa abrangente cultura guerreira do antigo Japão.
Os 7 Princípios do Bushidō: História
conteúdo preciso do código Bushidō variou historicamente, de acordo com registros, o código dos guerreiros foi desenvolvido durante o Período Kamakura (1192-1333), no entanto, o termo ‘Bushidō’ só viria a ser usado a partir do século XVI. Durante esse período, foi estabelecido o primeiro governo militar do Japão (Bakufu), liderado por um líder militar hereditário denominado, Xogunato; sistema de governo predominante no Japão (1192 a 1867), baseado na crescente autoridade dos ‘Xogum’ (grande general), supremo líder militar, que terminaria por submeter até mesmo a autoridade do Imperador.
Nessa época, a obediência à autoridade era enfatizada, mas o dever vinha primeiro, mesmo que implicasse violação da lei estatutária. Essa medida foi exemplificada na história dos 47 Rōnin do início do século XVIII. Os samurais que se tornaram sem mestre (rōnin), após seu senhor ter sido traiçoeiramente assassinado, vingaram-lhe a morte. No entanto foram todos ordenados a cometer ‘seppuku’.
Bushidō como um sistema moral apregoava: “ser leal ao seu senhor, ser obediente aos pais, controlar-se estritamente, ser misericordioso com aqueles de baixo escalão, ter simpatia pelo inimigo, abster-se do desejo egoísta, respeitar a justiça e respeitar a honra mais do que a riqueza.” Diferentes aspectos da vida de um guerreiro samurai foram ajustados a esses códigos e seguidos estritamente, mesmo que isso significasse a morte. A morte, para o samurai, era um meio de perpetuar a sua existência. Tal crença aumentava a eficiência e a não-hesitação em campos de batalha, o que veio a tornar o samurai, um dos mais letais entre os guerreiros da antiguidade.
O caminho espiritual também fazia parte do ideal de perfeição buscado por esses intrépidos guerreiros.
Com forte influência dos conceitos advindos do Zen-Budismo, Xintoísmo e Confucionismo, muitos dos que seguiram o código Bushidō possuíam, principalmente, uma atitude confucionista de “continuidade do nome da família”, que prosperou durante o Período Edo (1603 – 1868).
Durante o Xogunato Tokugawa, iniciado em 1603, a classe samurai passou a ser uma casta com transmissão hereditária. Assim sendo, o título de “samurai” passaria de pai para filho. Com a transmissão hereditária, os novos guerreiros começaram a ser treinados militarmente desde a infância, formando uma respeitadíssima casta.
Um samurai prezava, principalmente, o treinamento militar na arte da guerra. Através das artes marciais, era fortalecida tanto a sua técnica de combate quanto o seu espírito. Mais do que acertar um alvo com sua flecha ou cortar algo com sua katana (espada), o guerreiro visava sempre refinar seu espírito, com a autodisciplina e o autocontrole. Desta forma, estariam sempre preparados para as situações mais inesperadas e adversas possíveis.
Ainda hoje, o Koryū (ou Kobudo), como são conhecidos os estilos de combate criados pelos samurais, é praticado em versões modernizadas (Gendai budō) no século XX. O estilo envolve uma grande gama de armas diferente e técnicas, como o Kenjutsu (combater com espadas), Iaijutsu (desembainhar a espada em combate), Naginatajutsu (luta com alabarda), Sōjutsu ou Yarijutsu (arte da lança), Jojutsu e Bōjutsu (arte do bastão).
Os guerreiros também se destacaram pela grande variedade de habilidades que apresentaram fora do campo de batalha.
Muitos samurais aprenderam a amar tanto as artes como a esgrima, e tinham a alfabetização como parte obrigatória do currículo doutrinário. Dentre eles, muitos se sobressaíram como exímios poetas, calígrafos, pintores e escultores. Algumas formas de arte como o Ikebana (arte dos arranjos florais) e a Chanoyu (arte do chá) eram também consideradas artes marciais, pois treinavam a mente e as mãos do guerreiro quando fora de combate.
“A vida é limitada, mas o nome e a honra podem durar para sempre”.
As regras seguidas pelos antigos guerreiros japoneses passaram por alterações ao longo das eras. Muitas de suas práticas são altamente impactantes e controversas perante a ótica da sociedade moderna, como o ‘Seppuku’ (切腹, lit. “cortar o ventre”), vulgarmente conhecido no ocidente por haraquiri ou haraquíri (腹切 ou 腹切り); ritual suicida considerado pela classe samurai da época como uma forma honrosa de morte. Havia uma máxima entre a classe guerreira: “A vida é limitada, mas o nome e a honra podem durar para sempre”.
Interpretação do Bushidō na Era Moderna
Em meados do século XIX, os preceitos de Bushidō foram tidos como base de treinamento ético para toda a sociedade, com o imperador substituindo o senhor feudal (daimyo), como o foco da lealdade e do sacrifício. Desta forma, contribuiu para a ascensão do nacionalismo japonês após a Restauração Meiji (1868) e para o fortalecimento da moral civil durante a Guerra Sino-Japonesa (1937-45). Após a Guerra Sino-Japonesa, o ‘Bushido’ foi reavaliado. Nacionalistas, como tipificados por Tetsujido Inoue tentaram identificar Bushidō como a moralidade nacional dos japoneses.
Muito do código de conduta do “Caminho do Guerreiro” permanece sendo seguido ainda hoje, especialmente nos esportes.
Entretanto, após a derrota do Japão em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, a instrução do código foi oficialmente abandonada. Contudo, elementos do código permanecem na prática das artes marciais japonesas e no esporte da luta de sumô, por exemplo. Reinterpretando a herança da tradição japonesa da classe guerreira, Bushido ‘O Caminho do Samurai’ é reconhecido ainda hoje, não só no Japão, mas no mundo.
Os 7 Princípios do Caminho do Guerreiro
Gi (義) – Justiça
Seja sempre justo em suas ações. Confie em seu juízo, não no juízo dos outros. Para um samurai, não existe o “cinza” na hora de avaliar a honra e a justiça: as coisas são “brancas” ou “pretas”, a verdade ou a mentira, sem meio termo. Uma pessoa honesta tem a alma pura e não teme a verdade.
Yu (勇) – Bravura/Coragem
Levante-se sobre a multidão, não se esconda. Ocultar-se como uma tartaruga sob a carapaça não é vida. Um verdadeiro samurai deve ter espírito heroico. É arriscado, mas só assim se vive plenamente. A coragem, no entanto, não é cega; um guerreiro de verdade age com calma e sabedoria. Substitui o medo por respeito e precaução.
Jin (仁) – Benevolência/Compaixão e Piedade
Um treinamento intenso fortalece o samurai. O poder que o guerreiro recebe deve ser usado para o bem de todos. Se o destino não mostra tal oportunidade, o samurai deve encontrá-la por sua conta.
Rei (礼) – Respeito, Cortesia
Um samurai não deve ser cruel e não precisa mostrar força. Mesmo diante de seu pior inimigo, deve ser respeitoso. Sem essa qualidade, não somos melhores que animais. A verdadeira força interior se manifesta nos conflitos.
Makoto (誠) – Honestidade, Sinceridade Absoluta
Se um samurai se compromete a fazer algo, tem de cumprir. E nada no mundo poderá detê-lo. Não deve dar sua palavra ou se comprometer com nada de que não consiga dar conta. Falar e fazer, para um guerreiro é a mesma coisa; curiosamente, o ideograma de ‘falar’ (言) e ‘converter-se’ (成) ou, em outras palavras, “dito e feito”.
Meiyo (名誉) – Honra
Para um samurai, só existe um juiz capaz de julgar sua honra, ele mesmo. As decisões que toma refletem quem é de verdade: “Um guerreiro não pode se esconder de si mesmo”.
Chuugi (忠義) – Lealdade
Um samurai responde por suas ações assumindo voluntariamente a responsabilidade por seus atos. É absolutamente leal aos seus superiores, e um exemplo para seus subordinados. A palavra de um homem são suas pegadas: podem ser seguidas onde quer que vá.
Por Caçadores de Lendas
https://cacadoresdelendas.com.br/japao/os-7-principios-do-bushido-o-caminho-do-guerreiro-samurai/?fbclid=IwAR08lgg7R2JeOzSUPdtSo-b2xxB4lV8A4W_7Dl5bhFi80oWjAxwl-7qtgV4
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário